segunda-feira, 20 de maio de 2013

Aos que ficam


Me vou como vim, seguindo buscando.
Aos que ficam lhes deixo um mundo
que não foi meu nem será seu.
Cuidem dele pois ele não lhes cuidará.
Atentem-se uns aos outros sabendo
que seguem todos ensimesmados. 
Abram seus corações
Exponham seus espíritos
enquanto encontram portas fechadas
enquanto abandonam a fé.
Aos que ficam lhes peço
Que façam da busca
seu fim primeiro e último.
Não se deixem cair em inação.
E mexam-se
não pelo destino adiante, inconcreto
tampouco pelo ponto de partida, inconsciente
mas tão apenas pelo movimento em si.
Aos que ficam lhes peço
que criem a trama
e deixem estar o desenlace.

recolher o eu
que se espalhou
entre tantos fundos
tantos mundos
escorreu pelos ralos
subiu aos céus.
recolhe o que já foi
o que fora
o que tá fora
junta os cacos
as tripas
os frangalhos
e di-lhe:
"eis aí,
aprende a ser eu de novo."
e só então
uma vez unido
laçado
colado
juntado
poder saber quem é
e espalhar-se de novo

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O gatilho do amor

Qual a medida do amor? Acho que há um consenso de que não existe tal mesura. Mas gostaria de aqui introduzir um novo conceito: o gatilho do amor. Não me demorarei muito em defini-lo, nem dele farei um tratado. Quem sabe depois. Fiquemos por enquanto na essência. O gatilho do amor é exatamente aquele momento que firma a conexão sua e do outro. Se não se mede o amor, podemos dizer que o gatilho é aquela dose que enche a gente. Ou que nos transborda, ainda não sei dizer bem. O que importa é que o gatilho nada mais é do que aquele momento em que o mundo finalmente inexiste a não ser ele e você.


Dá-se inesperadamente, é claro. Para mim, bastou (e veja aqui que o que basta é apenas para o momento; tão incomensurável é o amor que jamais poderia expor aqui tudo o que compôs a construção do sentimento. Foquemos no gatilho, e no gatilho apenas) a minha mão entrelaçada à dele, meu braço ao seu redor, e minha cabeça deitada em seu ombro. Nenhuma ação que não já tivéssemos feito anteriormente. Me pergunto: o que teria feito daquele instante tão único, então? Vai ver foi a medida, no acúmulo desses tantos outros instantes. Portanto, o gatilho é essencialmente o momento, e não propriamente a ação. Daí veio aquele calor agradável, indo então por cada centímetro. E à minha boca vieram as três palavras, tão perdidas e banalizadas. À minha boca vieram, e por lá ficaram. Talvez tenha pesado o uso indevido delas. Ou quem sabe só precaução. Mas aqui dentro, eu sei o que me preencheu. E se já estou assim cheio, em breve vai transbordar.